domingo, agosto 13, 2006

Efeito estufa de 55 milhões de anos atrás derreteu o Ártico

Uma nova análise de sedimentos do fundo do mar, nas proximidades do Pólo Norte, revela que o Ártico era extremamente quente, úmido e não tinha gelo, na última vez em que quantidades enormes de gases do efeito estufa foram liberadas na atmosfera terrestre - um período pré-histórico, 55 milhões de anos atrás. Os achados aparecem na edição de 10 de agosto da revista Nature.
Evidências atuais e modelos de computador indicam que o Ártico contemporâneo está se aquecendo rapidamente, ganhando chuvas e perdendo gelo, por conta das emissões de gás carbônico. Cientistas vinham buscando desvendar os mistérios da região quando isso aconteceu pela última vez - um intervalo conhecido como máxima termal Peleoceno/Eoceno, ou PETM. Pesquisadores sabem há tempos que uma liberação massiva gases do efeito estufa, provavelmente gás carbônico ou metano, ocorreu durante a PETM.
Análises de sedimentos do fundo do mar e de rochas de todo o mundo forneceram várias pistas sobre a PETM, mas o Ártico continuava uma incógnita, até que, em 2004, uma expedição recolheu os primeiros sedimentos profundos de debaixo do gelo próximo ao pólo.
"Construir uma imagem de eventos climáticos antigos é como montar um quebra-cabeças", diz Gerald Dickens, um dos autores do estudo que analisou as amostras. Ele acrescenta que os resultados mostram que "o Ártico ficou muito quente durante a PETM. Mesmo plantas tropicais prosperaram" nas condições que surgiram com o aquecimento.
Além disso, a composição química das amostras pode permitir descartar algumas teorias antigas sobre a causa da PETM. Os resultados atuais sugerem que uma quantidade enorme de carbono entrou na atmosfera no início da máxima termal, ou por meio de erupções vulcânicas, ou pelo derretimento dos hidratos - mistura de metano e gelo - no fundo do mar. (09/08/2006 -Estadão Online)

sexta-feira, julho 21, 2006

Copos descartáveis liberam substância nociva quando aquecidos

Os copinhos descartáveis de plásticos, tão utilizados para aquele cafezinho ou chá após o almoço e durante o expediente escondem um grande mal: aquecido, o plástico libera uma substância química semelhante ao hormônio feminino estrogênio: o xenoestrogênio.
A substância ocupa os receptores deste hormônio aumentando as chances das mulheres de terem câncer de mama e/ou útero. E não é só perigoso para as mulheres. Homens tornan-se predispostos ao câncer de próstata, infertilidade e diminuíção de espermatozóides.
De nada adianta seu "chazinho" ter propriedades fitoterapêuticas; quando o xenoestrogênio entra no organismo junto com a bebida, tchau função benéfica! E grave bem: TODOS os derivados de petróleo liberam esta substância quando aquecidos: potes plásticos (que vão ao microondas), colheres de plástico, etc... O ideal é usar potes e xícaras de vidro. Até os lugares recém reformados com carpetes e pisos colados liberam o xenoestrogênio.
Nos envenenamos aos poucos sem saber; mas temos o direito e o poder de mudarmos nossos hábitos e informarmos (ao menos às pessoas próximas) do grande mal que provocamos a nós mesmos. E lembre-se: o vidro pode ser reaproveitado de várias maneiras, lavou saiu o cheiro; é só vantagem sobre qualquer produto "dito descartável", seja papel, alumínio ou plástico. Preservando a natureza acabamos por preservar nossas próprias vidas.
Fonte: matéria do Jornal O Dia 25/04/2001 por Daniella Daher

segunda-feira, julho 17, 2006

A versão de Judas, com um atraso de 1.700 anos

O Evangelho de Judas, texto encontrado no Egito no final da década de 1970 e cuja autenticidade foi verificada em abril, dá nova visão sobre o relacionamento entre Jesus e Judas. O evangelho, de 1.700 anos atrás, oferece mais subsídios aos acontecimentos que levaram à crucificação de Jesus.Essa versão foi desprezada pelo primeiro imperador cristão, Constantino, que, em 325, no Concílio de Nicéia, admitiu como relatos verdadeiros da vida de Jesus somente os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.Ao contrário dos evangelhos canônicos, que mostram Jesus como traidor, o manuscrito no idioma copta, dos egípcios cristãos, afirma que Judas agiu a pedido de Jesus ao denunciá-lo. "Podemos considerar um milagre que um texto antigo sobre um tema tão polêmico tenha sido trazido à luz", disse Rodolphe Kasser, um dos coordenadores da equipe que recuperou e traduziu o evangelho. Especialistas analisaram o estilo lingüístico, a escrita antiga a estrutura do texto e compararam-no com outros textos gnósticos do período e certificaram-se do tempo em que foi criado. Sabe-se que o texto original é anterior ao ano de 180, já que um texto do bispo Irineu de Lyon (130-202) já mencionava a existência desse manuscrito. Com o apoio da Fundação Maecenas para Arte Antiga, do Instituto Waitt para o Descobrimento Histórico e da National Geographic Society foi possível, em cinco anos de trabalho, recuperar 95% dos papiros que estavam seriamente danificados. Um programa de computador e diversos especialistas reconstituíram fragmento por fragmento. "Logo que começamos vimos que a decisão de recuperá-lo havia sido a mais acertada", afirmou Kasser. Recentemente foi colocado na internet um material completo sobre o projeto em que constam a transcrição integral do texto em copta, sua tradução para o inglês e as imagens do trabalho de restauro e do manuscrito.
Texto retirado da revista História Viva - http://www2.uol.com.br/historiaviva/

terça-feira, maio 23, 2006

Uma Foto Minha -Céu de Boa Vista-RR


Essa eu tirei em Boa Vista - Roraima, uns três meses atrás, por incrível que pareça estava de dia. Ficou bonita, então resolvi compartilhar com os amigos. Acho que a partir de hoje passarei a colocar algumas fotos minhas nesse espaço.

domingo, maio 14, 2006

Brasil entra na rota do contrabando de Urânio I

Brasil entra na rota do contrabando nuclear. Investigação secreta da Polícia Federal desvenda quadrilha que extrai e envia material radioativo para fora do País.
Em julho de 2004, a Polícia Federal apreendeu no interior do Amapá, na caçamba de uma caminhonete, 18 sacas de um mineral granulado escuro muito mais pesado do que aparentava ser. O material, examinado depois nos laboratórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear , era um composto de urânio e tório, minérios altamente radioativos que abundam em jazidas encravadas no extremo norte brasileiro. Estava ali o fio da meada para a descoberta de uma das mais obscuras máfias em atuação no País, com braços internacionais e especializada na extração clandestina e na comercialização ilegal de urânio.

Brasil entra na rota do contrabando de Urânio II

No rastreamento da teia de relações mantidas pelos traficantes, a polícia chegou ao nome de Haytham Abdul Rahman Khalaf, libanês apontado como o elo com o grupo extremista islâmico Hamas. Na ponta brasileira da trama, até agora a Polícia Federal já identificou três grupos especializados no tráfico de urânio. Todos com base em Macapá. O principal deles tem como testa-de-ferro o empresário João Luís Pulgatti, dono de um pool de empresas de mineração que consegue autorização oficial para pesquisar jazidas de ouro, mas que, na prática, explora e negocia minério radioativo. Por trás de Pulgatti está John Young, 58 anos, irlandês naturalizado canadense que diz representar no Brasil os interesses de uma companhia internacional de mineração. A partir de 2004, Young passou a ser sócio das empresas de Pulgatti. De olho nas jazidas e com dólares para investir, a parceria do estrangeiro com o brasileiro avançou. Em agosto do ano passado, o canadense destacou um geólogo para visitar minas no Amapá. Queria comprar uma área de mil hectares que, segundo as conversas grampeadas pela polícia, guarda nada menos que 50 mil toneladas de minério radioativo. Provavelmente de tório e urânio. “Pode mandar o seu pessoal lá checar, trazer amostras e analisar”, diz o dono da área a Pulgatti, encarregado de cuidar das negociações. Pelas terras, o grupo pagaria US$ 1,2 milhão. As escutas revelam que, fora os planos para ampliar a exploração direta de urânio, a dupla tem toda uma estrutura para comprar minério radioativo. Espalha garimpeiros em lugares estratégicos e tem preferência na compra do que for encontrado. Segundo a polícia, outro grupo especializado na aquisição de urânio é encabeçado por Robson André de Abreu, dono de madeireiras, de uma mineradora e de um conhecido restaurante de Macapá. A exemplo de Pulgatti, ele possui uma rede de fornecedores de urânio. O terceiro “grupo criminoso”, como escrevem os agentes nos relatórios secretos é chefiado por um homem até agora identificado apenas como Nogueira. Ao longo da investigação, os policiais descobriram que o negócio é infinitamente maior que aqueles 600 quilos apreendidos há quase dois anos. Nas escutas, surgem negociações de até dez toneladas.

Brasil entra na rota do contrabando de Urânio III

A máfia do urânio também tem braços no poder público. Os grampos da Polícia Federal registraram conversas em que o geólogo José Guimarães Cavalcante, braço direito de João Pulgatti, revela o auxílio de um senador da República para desencravar no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Brasília, um processo em que se buscava autorização para pesquisa de minério. O senador em questão é Papaléo Paes, do PSDB do Amapá, que aparece em diversas gravações da Polícia Federal.
O interessante nesse emaranhado de interesses é pensar que o Brasil através da corrupção e da incompetência das autoridades em cuidar dos seus recursos naturais pode estar contribuindo para a proliferação de armas nucleares e para o armamento de grupos terroristas. Essa é uma denúncia séria que merece ser investigada pelas autoridades internacionais e não apenas nacionais.
Aos interessados em maiores detalhes segue end. da reportagem
http://www.terra.com.br/istoe/

sábado, maio 13, 2006

...E 5 DICAS PARA VIVER DEVAGAR

• Diariamente, separe tempo para desligar toda a tecnologia que nos cerca - internet, celulares, televisão. Aproveite para sentar sozinho com seus pensamentos
• Observe sua velocidade durante o dia. Por força do hábito fazemos algumas coisas mais rápido do que precisamos • Deixe buracos na agenda e não preencha todos os momentos do dia com atividades. Resista à tentação de fazer mais e mais e tente fazer menos
• Encontre um hobby que desacelere sua rotina, como pintar, caminhar ou fazer iôga

5 ERROS DA VIDA ACELERADA...

• Prejudicar as relações com a família, namorados e amigos por estar muito apressado ou distraído para se envolver profundamente com outras pessoas
• Engordar ao comer (rápido) alimentos processados e altamente calóricos
• Ter idéias pouco criativas por dar à mente poucas chances de funcionar num modo mais suave, característico de quando relaxamos
• Correr demais com as tarefas profissionais até cometer erros

sexta-feira, maio 12, 2006

As várias mortes de um jogador de futebol



Em tempos de Copa do Mundo, segue a sugestão de um Livro muito interessante.

Um jogador de futebol morre duas vezes; a primeira, quando pára de jogar. A frase célebre do ex-craque Falcão, que vestiu as camisas do Internacional, da Roma e da seleção brasileira, está citada em Nunca houve um homem como Heleno, do jornalista Marcos Eduardo Neves, mas não cabe na história do biografado. Na verdade, Heleno de Freitas morreu muitas vezes. Um pouco por dia, ao longo dos 12 anos em que atuou nos gramados. Todos os dias, depois que parou de jogar.
A biografia de Heleno é um festival de ironias do destino. No decorrer de 328 páginas, o personagem se transforma. De craque talentoso, passa a jogador problema. De homem inteligente, bonito e bem nascido, acaba em frangalhos - física e psicologicamente. Amado pelo Botafogo, seu clube de coração, jogou várias temporadas pelo alvinegro da estrela solitária, mas conseguiu seu único título do campeonato carioca pelo arqui-rival Vasco da Gama.
Em meio às contradições do caminho, a narrativa se deixa levar facilmente. E isso se deve, em grande parte, ao trabalho de apuração do autor - extenso, pertinaz e profundo. Exceto pela infância do personagem, tratada de modo ligeiro, a obra é rica em detalhes não só da vida do craque, mas também sobre o desenrolar dos principais fatos do Brasil e do mundo. Em alguns pontos, o panorama de época com que o autor procura pontuar a trajetória de Heleno ganha tanto vulto que joga o assunto central para escanteio.
O próprio título é uma referência de época. Menciona a propaganda do filme Gilda, protagonizado por Rita Hayworth. Foi o apelido nada carinhoso que Heleno recebeu da torcida adversária - e até de alguns amigos -, quando o filme estreou no país. Era uma forma de dizer - sem que ele jamais entendesse - o quanto era genioso.
Inteligente, Heleno de Freitas guardava atributos suficientes, dentro e fora das quatro linhas, para chamar atenção da mídia e do público na época do "futebol romântico". Foi, aliás, graças a tanto "romantismo" que o craque pôde seguir carreira. Suas partidas eram quase sempre memoráveis. Para o bem e para o mal. Heleno tinha tudo para escapar da marcação dura de todos os chavões do futebol brasileiro. Ao contrário de tantos exemplos, nasceu em família abastada, estudou, formou-se em direito. Expressava-se com fluência e em geral com a mesma elegância que desfilava nos gramados. Na concentração, deixava a sinuca e o baralho dos companheiros de time de lado para jogar xadrez com os dirigentes. Vestia-se com tal esmero que, muitas vezes, a "cartolagem" sentia-se estranhamente diminuída.
Com tantos predicados, fazia questão de jogar para a torcida. Para a torcida feminina. Seu charme arrebatou inúmeros corações da alta sociedade carioca. De atrizes a vedetes de teatro - e, fala-se sem muita convicção, até da ex-primeira dama argentina Evita Perón. Nos jogos de alcova, conquistou uma galeria inteira de troféus em uma época em que a liberdade sexual era atributo de poucos. Ou, mais especificamente, de poucas.
Texto retirado da Revista - entre livros - disponível na Internet - http://revistaentrelivros.uol.com.br/Edicoes/13/Artigo17034-1.asp

quinta-feira, março 30, 2006

Em tempos de maracutais, crises e cpi's a criatividade dos brasileiros faz a hora.
Publicado no excelente blogger de Ricardo Noblat

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Descoberto novo planeta similar à Terra

RIO - Astrônomos anunciaram nesta quarta-feira a descoberta do planeta mais parecido com a Terra de que se tem conhecimento fora do nosso sistema solar. A cerca de 20 mil anos-luz de distância, e com cinco vezes a massa da Terra, pode ser o menor planeta extra-solar já encontrado.
Publicada na revista "Nature", a descoberta foi feita por uma equipe de 73 astrônomos de 12 países, liderados pelo cientista Jean-Philippe Beaulieu, do Instituto Astrofísico de Paris.
Planetas de tamanhos similares já foram descobertos fora do sistema solar mas o método utilizado para detectá-los significava que só poderíamos ver planetas pequenos quando estavam bem próximos de seus sóis e, segundo os cientistas, esses corpos são destruídos pela extrema radiação. Mas, com a técnica 'microlensing gravitacional', usada para detectar o novo planeta, é possível encontrar outros mundos em lugares que outras técnicas não alcançam.
- Microlensing é a maneira mais rápida de se achar planetas pequenos e frios, próximos da massa da Terra - disse Keith Horne, um dos descobridores e astrônomo da Universidade de St.Andrews, na Grã-Bretanha.
O novo planeta, OGLE-2005-BLG-390Lb, tem uma atmosfera similar à da Terra, mas a temperatura de sua superfície pode chegar a 220ºC negativos. Localizado próximo do centro da Via Láctea, leva dez anos para dar a volta em torno de uma estrela vermelha, da qual fica a aproximadamente 390 milhões de quilômetros, distância comparável ao de mundos habitáveis. Se estivesse em nosso Sistema Solar, ficaria entre Marte e Júpiter.
- A busca por uma segunda Terra é a força condutora por trás de nossa pequisa - disse o membro da equipe Daniel Kubas, no Observatório Sul Europeu, em Santiago do Chile.
Segundo Kubas, todos estão otimistas de que o método inteligente usado para encontrar o novo planeta pode, em breve, descobrir um gêmeo alienígena do nosso próprio mundo.
Fonte: Globo Online, acessado dia 06.02.2006

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Aprovado o Aluguel de nossas florestas


Foi aprovada ontem no Senado, por 39 votos a 14, a Lei que permite o aluguel de florestas públicas. Considerada por ambientalistas o principal legado da gestão Luiz Inácio Lula da Silva para a Amazônia, a concessão de florestas públicas para a produção sustentável, prevista em projeto de lei, ainda não entrara em vigor, mas ocorreu um grande passo para a sua validação.
O Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas prevê a concessão de até 13 milhões de hectares de terras nos primeiros dez anos para a exploração madeireira e outras atividades econômicas. O governo espera que o "aluguel" possa salvar o setor madeireiro, que só na Amazônia gera US$ 2,5 bilhões por ano, mas que chafurda numa crise de legalidade, e ao mesmo tempo ajude a manter de pé 10% da selva – o total de florestas a serem concedidas, que pode chegar a 50 milhões de hectares - gerando renda.
O objetivo real é reduzir a grilagem de terras, um dos mais graves problemas da Amazônia e um dos principais fatores de desmatamento, desenvolver a economia da região de maneira menos predatória e legalizar uma atividade econômica que atua na clandestinidade. Contudo, a aceitação de tal medida não é unanimidade, sendo contestada por diversos ambientalistas, entre eles o geógrafo Aziz Ab´Sáber, e empresários que sustentam a ideia de que o 'aluguel' permitirá que conglomerados internacionais explorem a região, o que para eles colocará em risco a sustentabilidade da região sem resolver os problemas sociais existentes, visto que a maior parte da população estará alijada da participação. Sem entrar do mérito da questão é imprescindível que alguma coisa seja feita para desenvolver economicamente a região amazônica, garantindo o sustento de muitas famílias, se essa é a melhor solução não sei, mas é necessário que alguma coisa seja feita urgentemente. No entanto, uma ressalva deve ser feita, pois confiar que o grande capital preserve a sustentabilidade da floresta e gere melhores condições de vida para a população local é a princípio uma temeridade.

terça-feira, janeiro 31, 2006

O Brasil não vê os pobres de São Paulo?

É visível a existência, no Brasil, de um certo ressentimento contra São Paulo. Os paulistas seriam, afinal, ricos e ainda teriam privilégios oficiais. Uma pesquisa que acaba de ser publicada mostra, porém, que se somarem todos os pobres das regiões metropolitanas de Recife, Salvador e Fortaleza ainda ficariam longe, muito longe, do número de pobres da região metropolitana de São Paulo, com seus 18 milhões de habitantes.De acordo com Sônia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), há na região metropolitana de São Paulo 7,5 milhões de pobres; Recife tem 2,1 milhões; Salvador e Fortaleza, 1,6 milhão. Mesmo se somássemos aos nordestinos, todos os pobres da região metropolitana de Belo Horizonte e de Porto Alegre, São Paulo ainda continuaria na frente.O resumo frio da história: em nenhum lugar do Brasil (aliás, da América Latina), uma única região metropolitana tem tantos pobres. E imaginar que se conseguirá reduzir a pobreza sem enfrentar esse batalhão de deserdados é um tremendo equívoco de políticas públicas.A verdade é que, por preconceito e desinformação, o resto do Brasil não vê os pobres de São Paulo e se distorcem políticas de redução da miséria, como se o fosse essencialmente um problema do Nordeste. Aliás, uma boa parte, se não for a maioria, dos carentes do sudeste são nordestinos ou filhos de nordestinos.Está na hora de acabar com essas bobagens. A pobreza não é um problema dessa ou daquela região, mas de todo o país.
Texto de Gilberto Dimenstein - Publicado na Folha de São Paulo de 31/01/2006

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Pense na China

Sugestão para um dia em que você não tiver nada com o que se preocupar e estiver até convencido que o mundo pode melhorar, deve melhorar, tem que melhorar. Finja que é agora. Simule otimismo. Imite alguém acreditando no futuro com toda a força. Faça cara de quem não tem dúvidas de que tudo vai dar certo. Convença-se de que tudo vai dar certo. Pronto? Agora pense na China .
Desanimou, certo? É impossível pensar na China e continuar, mesmo em fingimento, despreocupado. Dentro de muito pouco tempo vai acontecer o seguinte: a China vai tornar o resto do mundo supérfluo. Não vai ser preciso existir mais ninguém, de tanto que vai existir a China. O nosso destino é, enquanto a China cresce, irmos ficando cada vez mais desnecessários. Em, o quê? Vinte anos? A China terá o maior parque industrial, com a mão-de-obra mais abundante e portanto mais barata, da Terra, e produzirá de tudo para o maior mercado consumidor da Terra que será qual? O dos chineses, mesmo ganhando pouco. A China concentrará toda a atividade econômica do planeta entre as suas fronteiras. A China se bastará.
Mas não pense que vamos ficar assistindo ao espetáculo da auto-suficiência chinesa da cerca, esperando alguma sobra. Antes de se tornar definitivamente autocapaz a China terá que garantir as fontes da sua energia. O seu inevitável choque com aquele outro sorvedouro de combustível fóssil, os Estados Unidos, pelas últimas reservas de petróleo do mundo pode literalmente nos arrasar. Sugestão para a reflexão antes de dormir esta noite, se você conseguir dormir: o petróleo do Oriente Médio escasseando, dois monstros sedentos cuja sobrevivência depende do petróleo se enfrentando — e nós no meio. Ganhará o confronto final, nuclear ou não, quem tiver mais gente. A China tem muito mais gente do que os Estados Unidos.
Enquanto isto, a Índia... Mas chega. Reanime-se. A vida é boa, há borboletas, os pêssegos estão ótimos e a Copa vem aí. Eu, na verdade, não tenho com o que me preocupar mesmo. Estou a caminho da fase pré-fóssil e não estarei aqui quando tudo isto acontecer. Mas só queria avisar.
Texto de Luis Fernando Verissimo - Publicado no Jornal O Globo de 29/01/2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Frio Aflige a Europa


Este ano o continente europeu tem passado por um inverno rigoroso, notícias veiculadas em diversos jornais retratam em muitos lugares a presença de temperaturas negativas e de nevascas. Segundo alguns climatologistas esse rigor no inverno tem suas causas ligadas às mudanças ocorridas nas correntes marinhas, principalmente, pela redução do volume de águas quentes que correm da zona intertropical em direção ao norte da Europa. Tal fato seria provocado pelas mudanças climáticas globais, uma vez que as correntes marinhas tornam o inverno europeu mais ameno. Em caso de confirmação das pesquisas atuais, a tendência é que os invernos seguintes sejam ainda mais rigorosos, com temperaturas cada vez mais baixas o que certamente provocara muitas mortes e prejuízos a economia.
Por outro lado, não podemos esquecer que o aquecimento global é provocado pelo aumento de gazes poluentes na atmosfera, sobretudo pelas nações mais industrializadas, incluindo nesse grupo os próprios países europeus e é claro os Estados Unidos, que até hoje se nega a assinar o protocolo de Kioto. Curiosamente, os Estados Unidos também tem sofrido com problemas ambientais ligados ao aquecimento global, sobretudo, os furacões oriundos da zona intertropical.
Para os leigos, vale ressaltar que tanto os furacões nos Estados Unidos, a onda de frio na Europa e as mudanças de temperatura bruscas em uma cidade como o Rio de Janeiro estão relacionados, fazendo parte de um sistema climática global, que guarda no seu interior diversas inter-relações. No entanto, fenômenos como as Tsunamis que ocorreram recentemente, não têm relação com as mudanças globais, pois são provocadas por movimentos tectônicos no assoalho submarino, ou seja, processos naturais diferentes.Por hora resta apenas a esperança de que ocorram em um curto espaço de tempo uma diminuição da emissão de gazes poluentes e que a opinião pública mundial cobre das autoridades nacionais a vontade política para isso.

sábado, dezembro 17, 2005

FAVELA - alegria e dor na cidade


Fiel ao propósito de estimular a reflexão sobre os problemas brasileiros em busca de soluções futuras, os amigos de luta e caminhada Jailson de Souza e Silva e Jorge Luiz Barbosa, lançaram na última quinta-feira (15/12/2005) o livro – Favela: alegria e dor na cidade. Uma obra importante para pessoas interessadas em construir uma cidade mais justa, democrática e participativa.
O livro descreve o processo de gênese das comunidades carentes em nossa cidade, percorrendo mais de 100 anos de história do Rio de Janeiro e do Brasil. Além disso, descreve de forma concisa e facilmente entendível o cotidiano de violência, pobreza e de manifestações culturais típicas dessa parte da cidade.
Outro ponto importante do livro diz respeito à relação de obras recomendadas para a leitura, que permite aos novos interessados pelo tema, um breve panorama do que tem sido pesquisado e produzido nos últimos anos.
Por fim, esta é mais uma obra que recomendo a quem se interesse pela construção de uma sociedade mais justa e democrática.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

As mil e uma noites diretamente do Árabe


As mil e uma noites são provavelmente o único clássico da literatura árabe conhecido no Ocidente. Digo "conhecido" por ser um livro que conta com quantidade razoável de leitores cultos, não existindo apenas como título abstrato - caso do Alcorão, essa obra prodigiosa, que consegue ser citada sem ter sido lida. Contudo, há um fato curioso, pois o que citamos como um livro na verdade é uma compilação de contos árabes muito antigos.
Bem, mas porque falar das mil e uma noites, recentemente a Editora Globo deu início a publicação em seis volumes de toda a obra das mil e uma noites, mas não qualquer tradução, mas a obra original. Para os interessados terem uma idéia exata do que isso significa, as nossas edições eram meras traduções da obra publicada em francês por Antoine Gailand, no início do século XVIII. Nesta obra, não constava nem a história de Aladim, nem a de Simbá, nem a de Ali Babá, que segundo pesquisadores foi incorporada a obra original por Galland, não que essas lendas e/ou histórias não existissem mais não faziam parte do original.Recentemente, a Brasiliense publicou uma tradução da versão francesa realizada por René Khawam a partir do manuscrito original, ou antes, do manuscrito mais antigo, que é o de 1455, adquirido por Galland, eu tenho o prazer de ter essa coleção. Mas esse fato não se compara a ler uma tradução direta do árabe para a língua portuguesa, se bem que o mais interessante seria ler em árabe, mas isso em deixo pra depois.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Ginseng brasileiro poderia combater câncer

Um possível novo candidato a arma contra o câncer foi identificado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Em análises de laboratório, a equipe constatou que extratos do ginseng brasileiro (Pfaffia paniculata) são capazes de promover a morte de células tumorais sob determinadas condições. No entanto, muitos estudos ainda são necessários até que a descoberta possa dar origem a um medicamento contra a doença.
Desde 2000, a equipe da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP trabalha com diversos modelos experimentais. Os primeiros estudos foram realizados com a raiz em pó do ginseng administradas a camundongos. Em seguida, foram feitos extratos alcoólicos da raiz, por meio de uma metodologia que consiste em aplicar álcool no pó da raiz da planta. “Durante os testes, verificamos que o primeiro extrato – o etanólico – provocava efeito nulo sobre as células tumorais”, esclarece a veterinária Márcia Nagamine, coordenadora da pesquisa, orientada pela professora Maria Lúcia Dagli. “Já os extratos derivados apresentaram efeitos opostos: enquanto o butanólico inibia a proliferação de tais células cancerígenas, o aquoso estimulava.” Os estudos mostraram maior sobrevida de camundongos portadores de tumor transplantável que receberam extrato butanólico da raiz. Quando se aplicou o mesmo extrato em culturas de células tumorais mamárias humanas, observou-se a morte das mesmas.
Apesar dos resultados animadores, a equipe não sabe ainda definir qual dos vários componentes presentes no extrato butanólico é o responsável pela a morte celular. Por enquanto, não se pode afirmar se há ou não efeitos colaterais, ou seja, se tal extrato ataca também as células saudáveis. É importante frisar que os estudos estão no começo e que será preciso esperar muitos anos até que um possível medicamento contra o câncer a base de ginseng possa se tornar uma realidade.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

A espera da Pandemia

"Em algum momento, uma variante altamente letal e contagiosa do vírus da gripe se espalhará por todo o mundo, levando milhões de vidas - ou talvez apenas milhares. A epidemia global pode ocorrer daqui a poucos meses ou em muitos anos - mas é inevitável". Assim começa o brilhante artigo publicado pela excelente revista Scientific American Brasil sobre a possibilidade concreta de ocorrência de uma pandemia do vírus influenza, responsável pela popularmente conhecida crime aviária.Aconselho aos interessados ler o artigo, ele está disponível no site: http://www2.uol.com.br/sciam/